
                                     Â
Entre 1995 e 1996, treinei meu primeiro maratonista amador, que debutou na Maratona do Rio em 1996. Na época, havia carência de informações sobre o assunto no paÃs. TÃnhamos apenas uma revista de corrida em circulação e, as poucas pessoas, que escreviam a respeito, eram corredores que relatavam suas experiências pessoais, mas, com muito pouco embasamento cientÃfico, por razões óbvias.
Considerar a quilometragem semanal dos maratonistas de elite e fazer uma adaptação aos amadores era difÃcil, uma vez que estes percorriam cerca de 190 a 200 km por semana, ou até mais. Para um amante da corrida que teria que dividir seu tempo entre a profissão, a famÃlia e os treinamentos, pensar na metade desta quilometragem era e ainda é algo totalmente fora da realidade, principalmente quando a meta é treinar para completar a prova, mas sem comprometer a saúde.
Após 5 meses de treinamentos, com a máxima de 60km semanais que foi possÃvel cumprir, um treino longo de 24km, e um outro de 30km, composto por 10 voltas de 3km no Parque do Ibirapuera, lá estávamos, meu aluno e eu, entre os que aceitaram o desafio de correr a Maratona Internacional do Rio de Janeiro, numa temperatura muito alta. Decidi corrê-la junto como parte da experiência.
O percurso foi dos mais lindos e os cariocas deram um show de cidadania e incentivo, mas o calor acima de 30º C e a não distribuição de hidratantes, matou todo nosso plano de prova. Sofremos bastante, mas, mesmo com um tempo acima do planejado, completamos nossa primeira maratona!
Logo vieram outros candidatos a maratonistas, todos amadores. Com a pesquisa da matéria fora do Brasil, com a importante troca de informações com outros treinadores, e com as experiências práticas, finalmente fomos chegando a um modelo que, de certa forma, garantia aos nossos corredores a confiança para o término da prova, sem riscos, e sem comprometer as outras atividades da vida. Logicamente, com muita disciplina, persistência e dedicação de ambas as partes.
Passados mais de 13 anos, com o advento da internet, trazendo informações frescas de todas as partes do mundo em ótimos sites de corrida, fóruns de treinadores, várias revistas e uma grande quantidade de excelentes profissionais no mercado, penso que ainda se publica pouco sobre a quilometragem semanal dos maratonistas amadores. Algumas publicações apresentam planilhas de treinamento coletivas para a distância, sem o indispensável acompanhamento de um bom profissional da área, como se fosse algo simples e sem risco.   Ainda assim, repito que se discute pouco sobre qual seria a distância relativamente próxima ao ideal a ser percorrida durante os treinos. Â
A idéia de escrever este artigo, e de publicar alguns dados acumulados ao longo destes anos, não quer estabelecer distâncias padrões como sendo verdades absolutas, mas sim, iniciar uma boa discussão, e contribuir com um assunto fascinante, de uma distância de corrida cada vez mais procurada por amadores. Quem sabe incentivamos outros profissionais do treinamento a relatarem suas anotações e pesquisas!
Segue então, os dados de alguns de nossos maratonistas amadores, com nome e sobrenome abreviados, sexo, idade, prova, data, distância semanal máxima percorrida e o tempo final de prova. Esperamos, com isso, estar contribuindo com a ciência e mostrar aos futuros maratonistas, quanto é necessário treinar para concluir a nobre distância, sem colocar a saúde e as outras áreas importantes da vida em risco. Vale também observar que a escolha de uma boa prova é fundamental, mesmo se mantendo igual distância média de treinamento.
Observe que na maioria dos casos onde temos os resultados do mesmo corredor em duas maratonas, a quilometragem semanal não aumentou muito, ou simplesmente não aumentou, em função da mesma limitação de tempo disponÃvel para os treinamentos. A melhora de tempo da primeira para a segunda maratona, deu-se em função da maior experiência, possibilitando uma corrida com um pouco mais de ousadia, ou da opção de uma segunda maratona com percurso mais rápido.
Lembre-se que vale a máxima defendida pela maioria, que na primeira maratona deve-se pensar acima de tudo em terminar, independente do tempo.Nas próximas já se pode correr visando uma marca mais forte!
| Nome | Sexo | Idade | Prova | Ano | Quilometragem | Tempo |
| W.V | M | 50 anos | São Paulo | 2001 | 80Km | 3:58 |
| 51 anos | Chicago | 2002 | 80Km | 3:25 | ||
| R.K.M. | M | 28 anos | Paris | 2005 | 75Km | 3:31 |
| S.T. | M | 49 anos | São Paulo | 2007 | 75Km | 3:54 |
| E.B.S. | M | 30 anos | São Paulo | 2001 | 65Km | 4:15 |
| 31 anos | São Paulo | 2002 | 65Km | 3:45 | ||
| F.C. | M | 33 anos | Berlin | 2003 | 70Km | 3:55 |
| P.W.C | M | 39 anos | New York | 2002 | 65Km | 4:13 |
| New York | 2003 | 65Km | 4:01 | |||
| A.S | M | 34 anos | New York | 2003 | 65Km | 4:01 |
| D.J. | M | 39 anos | Portland | 2000 | 65Km | 4:23 |
| 41 anos | Chicago | 2002 | 65Km | 4:01 | ||
| M.M. | M | 40 anos | New York | 2001 | 70Km | 4:08 |
| M.M. | F | 32 anos | New York | 1998 | 70Km | 4:08 |
| K.Z.H. | F | 27 anos | New York | 2006 | 65Km | 4:17 |
| M.A. | M | 56 anos | R. Janeiro | 1996 | 60Km | 4:54 |
| 60 anos | New York | 2000 | 60Km | 4:23 | ||
| V.D.Z. | F | 35 anos | New York | 1998 | 60Km | 4:32 |
| J.R.S. | M | 64 anos | Chicago | 1999 | 60Km | 4:58 |
| 68 anos | Berlin | 2003 | 55Km | 4:45 |
Outras dicas:
Renovando suas forças como a águia!
Como um amador treina para a maratona?
Dê maior atenção ao aquecimento